O anticomunista primário
(com livros de Carlos Brito)
Sábado soalheiro sigo até às “Avenidas Novas”, rumo a um encontro sobre um livro ancorado em Moçambique, do qual gostei. A livraria está preenchida por uma trintena de interessados, conheço vários, de alguns sou amigo. A conversa decorre animada, com desvelo leitor mas sem prosápias literatas. Entretanto - e porque recusei um dos escassos lugares sentados, o qual me fora ofertado devido ao meu aspecto provecto -, e enquanto ouço, vou vasculhando estantes e escaparates, curiosidade diante de uma oferta especializada em tópicos e autores “austrais”.
Findo o de facto já colóquio advém o sempre apetecível convívio desprendido - infelizmente desprovido de chamuças e beberete adjacente. Agrego-me a alguns que me foram habituais em Maputo mas dos quais sigo aqui apartado. Nisso dirijo-me, sorridente - até saudoso - a uma Senhora, mais-antiga, com a qual privei lá na “pérola” índica. E à qual continuo grato. Está rodeada de algumas pessoas que desconheço. Ao meu aproximar atira-me, em voz agreste e sonante: “você está um anticomunista primário!”, o que lhe vem de me ir lendo. E repete-a, com ênfase, a essa velha expressão que reduzia a boçais ou “agentes” os não-cúmplices com tudo aquilo que ocorria num passado já nem muito recente.
Estanco, gelando. Há 30 anos que lhe conheço o jeito e ideais, mas isto, assim, agora e ali, parece-me demasiado! Dedica-me ainda um qualquer “não tenho paciência…”. Resta-me um pobre arremedo cavalheiresco, suportado pelos sorrisos bem amarelos das suas circundantes, num “não vim aqui para falar de política”. E dou costas, seguindo para a soleira da porta juntando-me a uma rapaziada sexagenária e (já) septuagenária, gente advinda de Moçambique ou ainda por lá, e exercemos uma bem-humorada verrina. Esfumaço, assomam-me saudades daquela densidade do “Bairro Central à Costa do Sol” e delas fujo, estugando-me até a umas simplórias cervejolas nesta Malhangalene que são os Olivais.
Passam poucos dias. E lembro-me do episódio ao saber que, na ida a São Bento do presidente do parlamento da invadida Ucrânia, à deputada comunista Paula Santos ocorreu-lhe um veemente lamento, pois “A União Soviética - que lhe ainda será “farol”, como os seus soíam dizer - infelizmente que há muitos anos terminou, infelizmente, porque de facto foram anos extraordinários para o povo”. E estou certo que os correligionários a aplaudem, gabarolando-se de que os russos dos 1980s já não viviam como os mujiques de Tolstoi ou Tchekhov. E de nada valerá dizer-lhes que então os “miseráveis” britânicos e franceses de Dickens ou Zola eram também apenas uma memória, e os seus bisnetos seguiam muito mais desafogados e… livres. Livres! E de nada valerá pois logo casquinarão impropérios contra a “democracia formal”, “burguesa”, as pejorativas expressões que lhes serviram para louvaminhar as violentas ditaduras das suas preferências.
Encolho os ombros descaídos face à renovada constatação: a estes restos mortais comunistas resta-lhes a pesporrência de se considerarem dotados de uma qualquer “superioridade moral”, que julgam até intelectual, envolvendo-lhes a volúpia (talvez orgástica) da mera crença. Habita num ressentimento contra o “Ocidente”, incréu pois liberal, qual mero redil de objectores “primários”. E é isso patente neste perene e impúdico apreço pela memória da ditadura soviética - e dos seus protectorados.
Algo também evidente no actual pavloviano seguidismo ao avatar fascista imperialista putinesco.1 Afixado - por mais que o queiram negar, até com desplante - quando há quatro anos na Ucrânia começou a “guerra”, termo que o PCP e os seus tanto se esforçaram por evitar. Para logo depois, em forma pouco matizada de justificar a “Operação Militar Especial” russa, a sua direcção exarar um comunicado lembrando, de modo saudoso, a "notável solução que a União Soviética encontrou para a questão das nacionalidades e o respeito pelos povos e suas culturas". Em 2022! Num documento oficial da direcção de um partido com representação parlamentar! 2
Face a essa inenarrável declaração insurgi-me. Mas se nenhum dos seus militantes e simpatizantes titubeou que fosse também não li outras reacções ao despautério comunista. Ora imagine-se, por mero absurdo, se na vizinhança europeia, na França por exemplo, um presidente de grande partido viesse negar a dimensão das sanguinárias práticas nazis? Que burburinho haveria por cá, e não só entre os do “Partido”… Ou então, já intramuros e sobre temáticas menos brutais, se agora algum conotável com a IL surgisse na imprensa a defender a “solução chilena” de Pinochet, na sua adesão teórica a Milton Friedmann? Ou se um qualquer político português de “direita” apoucasse a violência política do Estado Novo? Que azáfama avessa aos “fascistas” surgiria. Mas louvar a “solução soviética para as nacionalidades”? Nenhum sobressalto, e até inexistiu algum Pacheco Pereira a desafiar o então secretário-geral do PCP para um debate televisivo sobre a matéria. Um silêncio demonstrativo de que para os próprios - e para muitos outros - é como se ao PCP tenha sido outorgada a chancela de “democrata”, qual medalha por “serviços prestados” - contra o Estado Novo. E por isso siga inimputável, intelectual, política e até moralmente.
Logo de seguida morreu Carlos Brito. Nas notícias atento na curiosidade do antigo dirigente comunista ter nascido em Lourenço Marques. E percebo que já septuagenário, neste XXI, se afastara do seu partido. Este recebeu o óbito com extrema secura, e apenas reactiva,3 o que causou uma impressão generalizada. Pois nisso denotando a imutabilidade comunista, a continuidade da aversão - até moral - à diversidade opinativa, sempre vista qual “fraccionismo”. Trata-se de uma “ortodoxia”, como se dizia há décadas, um modo de ser emanado do vínculo ao “centralismo democrático” leninista,4 o molde da mundividência e da prática comunista, na refutação da democraticidade, como a história de XX bem comprovou.
Brito fora um dos vultos dos comunistas na minha juventude. Nessa era Cunhal, um homem “bigger than life” quase monopolizava a visibilidade entre aquele colectivo. Mas houvera Octávio Pato, surgindo com um rosto mais “humano”, deixando saber que tinha paixões sem ideologia, pois até se dizia adepto do Benfica - já Cunhal nem os autores ou artistas preferidos anunciava, para “não influenciar os camaradas”. E o mais esconso Ângelo Veloso, não tanto por ter sido candidato presidencial, mas por uma sua filha ser minha vizinha e amiga chegada. E havia Brito, o qual mais lembro em São Bento, sob a sua cabeleira encrespada, bem ao jeito da minha aquando dessa época.
Desses anos restaram-me outros nomes do PCP, de seus “dissidentes” (como se dizia). Veiga de Oliveira, talvez o primeiro sonante - a abertura democrática cedo lhe terá feito perceber o desajuste comunista. Ou o jovem Vital Moreira - que viria a descambar em socratista -, então desconfiado como “eurocomunista” (o aggiornamento a la Berlinguer, sempre refutado). Mais tarde Zita Seabra, abominada por ter acorrido ao PSD de Cavaco Silva. E, já serodiamente pois apenas após a “queda do muro”, um feixe de gentes indiscerníveis, oriundo da festividade UEC (mas não da UJC) pós-1974, e que se vieram a agregar na amálgama de grupelhos dita BE. Mas se todos esses, “dissidentes” ou posteriores “críticos”, eram vituperados, a sanha, essa sim “primária”, era contra os piores dos “trânsfugas”, alguns como Francisco Ferreira (Chico da CUF) ou Cândida Ventura, antigos militantes que após terem conhecido a URSS haviam abandonado a organização e a doutrina,5 aos quais apenas a rota da história trouxe comprovação intelectual.
A Carlos Brito eu desconhecia qualquer “dissidência”, e julgara o seu ocaso público apenas efeito da idade. Ocorrido quando eu estava emigrado, presumo que o afastamento terá sido pouco espectacular - o meu pai, o Camarada Pimentel, nunca o debateu comigo -, talvez em disciplinada surdina. E foi bem tardio, mais de uma década após a perestroika e a glasnost. Assim presumo ter sido “apenas” a consciência da necessidade do tal aggiornamento - com laivos de democraticidade -, o qual tão abominável surgia aos seus camaradas. E tão abominável lhes continua a ser, como o comprova esta refutação do luto pelo nonagenário.
Fora do amplexo PCP a morte de Brito recebeu uma abrangente vénia. Decerto que devido os ditâmes culturais face à morte das figuras políticas (ainda há pouco os referi em “Olhar os Políticos Mortos em Democracia”). Mas também exponenciada pela rispidez da reacção partidária. Tornando-se assim até uma pouco elegante homenagem utilitária. Pois usando-o para atacar o seu (antigo?) partido, talvez até através de um exagerar das dissensões acontecidas. Ou seja, uma verdadeira apropriação da sua figura, apresentando-o como um exemplo de “democrata”. Ou, com alguma ironia, do “bom comunista”.
Fiquei curioso e fui ler alguns livros de Carlos Brito, um legado paterno, publicados no final do milénio, já no período em que recuava na preponderância militante. Fi-lo também para perceber se neles discernia as causas desse afastamento à linha doutrinária - não as encontei, porventura por falta de informação contextualizadora.
Comecei pelo breve “Vale a Pena Ter Esperança” (1999), integrante da colecção “Caminho de Abril”, promovida pela editora Caminho para a celebração dos 25 anos da revolução de 1974, com ficções curtas dedicadas à data escritas por autores comunistas ou “amigos” (Manuel Alegre). Trata-se de uma narrativa sobre uma tentativa de partida “a salto” - através do Guadiana - para o exílio, abortada pelo inesperado golpe militar. E tem o interesse do protagonista, militante comunista, não surgir heróico, imbuído das responsabilidades partidárias, mas sim individualizado na sua subjugação ao “complexo do acossado”, mesmo “à beira do abismo” psicológico, assim decidindo escapar-se ao invés dos conselhos da sua organização. Ou seja, o autor desprendeu-se do velho modelo tão típico do herói heróico, personificando um colectivo inabalável.
Diverso é o “Tempo de Subversão: Páginas Vividas da Resistência” (1998), um conjunto de 13 textos breves, numa mescla de memórias e textos de opinião. Nele constam, numa linguagem solta, de mero relato sem vontades literárias e sem dramatismos, alguns episódios da sua vida militante. Desde a memória da sua juvenil (aos 17 anos) excitação ao ler o primeiro “Avante” clandestino - numa transgressão como se fundacional (libertadora política) que as gerações subsequentes em democracia vieram a encontrar noutras transgressões sentidas como fundacionais (libertadoras privadas, pois lúdicas). Cruzando evocações das suas várias prisões e das sevícias sofridas em calabouço, das suas andanças na vida clandestina e a partida (“a salto”, cruzando o Tâmega) para o exílio. E consta a narração da sua célebre fuga da cadeia do Aljube - e também por isso esta, transformada em museu, é simbolicamente tão relevante para o actual PCP, como mostrou o recente “affaire Rita Rato”.
Em textos mais gerais (pois sem aludir ao seu papel pessoal) ecoa como o seu partido acompanhou a preparação do golpe militar de 1974 e actuou no boicote às últimas “eleições” do Estado Novo. E o crescendo de grevismo operário desde finais de 1973 - sob influência do PCP -, mostrando a degenerescência do poder vigente, e disso também factor. São pequenos contributos para a história dessa derrocada, demasiado centrada na mitografia militarizada. E elenca essas reclamações salariais e laborais, patenteando as condições de sobreexploração então existentes. (E esses são temas a recuperar. Pois face aos actuais discursos populistas que mitigam os males do Estado Novo será melhor, em vez de deslizes demagógicos, lembrar as condições de vida de então, e comparando-as com as dos nossos vizinhos.)
Na introdução há um excerto que é central, denotando a a mundividência comunista. Pois em 1998 anunciou “É que, presentemente, por toda a Europa as forças da extrema-direita fascista e fascisante redobram de agressividade, beneficiando de secretos apoios do poder económico e da escandalosa tolerância do próprio sistema político” (p. 14). Parece actual, pois é recorrente ouvir este tipo de formulação - a proeminência do fascismo, explícito ou implícito, o seu ressurgimento acelerado, o seu conúbio (encapotado) com os poderes fácticos. Ora a contínua persistência desta argumentação demonstra-a não como um diagnóstico de momento histórico. Mas sim como um tópico comunista, uma “visão do mundo” retórica, a de “fascistizar” os adversários e afirmar uma esconsa conspiração. Qualquer leitor de Eco, desde os “Seis Passeios no Bosque da Ficção” até ao “O Cemitério de Praga” reconhece os elementos ficcionais subjacentes a esta construção aparentemente real. Que serve para tentar justificar os meios a assumir na “resistência”
E o romance “A Páginas Tantas” (2000). A trama é pouco refinada - mas suportaria um folhetim televisivo. Decorre durante a queda do muro de Berlim, entre personagens algo tipificadas, representativas do espectro de sensibilidades políticas dos resistentes ao Estado Novo. O mote político é a ascensão ao poder - então o PSD de Cavaco Silva - de Valdez. Este fora um exilado, líder de um pequeno grupo maoísta avesso aos “sociais-fascistas e revisionistas do PCP”, que refutavam a luta armada e por isso vistos como instrumentos “para controlar a classe operária”.
Brito recupera o diagnóstico de Cunhal sobre os radicais “pequeno-burgueses de fachada socialista”, alertando não serem (todos) “más pessoas” (p. 77), mas faz desse Valdez um arquétipo. Rodeado de uma “fauna dos gabinetes” (os futuros “boys”, diz mesmo), literalmente gulosa e voraz - enquanto os camaradas surgem em cenas comensais com apetite jubiloso, pois legítimo, um traço moralista evidente -, o ex-maoísta é desprovido de valores, tendo ascendido a Secretário de Estado da Cooperação e rumar a Ministro dos Negócios Estrangeiros (é impossível não pensar tratar-se de um decalque de Durão Barroso). Mas pressionado por uma conspiração através dos “serviços de informação” - o que traduz a percepção de uma omipresença de uma “Pide” na democracia - acaba por sair do governo e transitar para a administração dos grandes interesses económicos, o verdadeiro poder.
O mais interessante, pois tão actual, deste Valdez é uma sua antiga proposta - que lhe causa a demissão governamental. Pois em finais do Estado Novo, o líder maoísta exilado havia defendido fazer confluir vagas de emigrantes portugueses para o pequeno Luxemburgo, numa “substituição demográfica” que o tornasse trampolim contra a ditadura portuguesa. Ou seja, o ficcional Valdez surge como um precursor da actual e explícita Irene Montero do PODEMOS, e de tantos outros implícitos, na ânsia de que a imigração altere os contextos políticos nacionais.
O outro mote do livro é a apresentação da mundividência dos “antifascistas” naquele final de ciclo histórico, em particular a dos comunistas. Num ambiente em que “não há separação das vidas pessoais da política” (p. 122). Tão nítido quando Rogério e Ester, antigos maoístas convertidos aos partidos sistémicos, se casam e “selaram a união com os papéis oficiais e uma pequena festa que reuniu os correligionários mais próximos de cada um, visto que tinham divergido politicamente e rumado para diferentes destinos partidários” (45). Nesse registo existencial a prática comunista surge assente na moral. Diz um militante, dos rijos: “Temos um coração maior… Recuso qualquer insinuação de fanatismo. Chamo-lhe antes amor pelos outros, especialmente pelos mais sofredores e injustiçados… parece que bebi a punção de advogados dos oprimidos, seja qual for o lugar do mundo onde se encontrem…” (p. 123).
A “queda do muro”, a desagregação comunista, é sofrida, pois os “americanos” recuperam terreno com “o fim das democracias populares”. E vista através do alijar de consequências teóricas e políticas, pois devida a “meros erros de prática”6 dos “gorbatchoves” (p. 189). Face à catadupa das notícias entre os militantes invectivam-se “as barbaridades” da televisão, contra a “hedionda manipulação histórica” esquecendo a “luta contra os nazis” (p. 160), esta sempre justificativa da realidade posterior.
E a isso se alia o diagnóstico sobre a correcção do PCP. Um calibrado militante esclarece terem um programa pluralista e já feito profíqua e suficiente autocrítica face aos rumos soviéticos (pp. 174-175). Alertando para a “furiosa” “campanha anticomunista” que adviria e refutando o fraccionismo “divisionista” (pp. 170-171) - a realçar pois Brito terá tido invectivas desse teor. O cerne do livro surge na explicação do título, en passant, numa recusa que é lamento: “E de repente, a páginas tantas, querem transformar-nos, a nós que sempre fomos vítimas, em carrascos” (p. 176).
É certo que Brito faz falar várias personagens, nisso várias perspectivas sobre as ocorrências passadas e contemporâneas. Mas do global não se retira algum nítido afastamento do autor das visões mais generalizadas entre os seus camaradas. E, acima de tudo, resta um substrato moral como justificativo da vida política. Moralista, de facto. O que é escasso para quem se dedicou à militância através de uma perspectiva que se disse - e impôs com extrema acidez e virulência - como “científica”. Mas das leituras ficou-me também outra visão: a de que o autor terá sido um homem firme mas plácido, com a qualidade de leitor de Simenon. E bem-intencionado. O que é, moralismos à parte, mau na política, pois originando rumos tétricos, comprova-o a história.
Quanto a mim - e regressando ao princípio do (longo) texto? Continuo a seguir anticomunista. Na crença (presunção e água benta…) de que não “primário”. E, mais do que tudo, impaciente face a impertinências alheias.
Presente no nosso rossio digital, pois não raro é ver “camaradas e amigos” partilhando nacos opinativos russófilos (re)emitidos pelos nacionalistas ultramontanos cá do rincão, fascistas miguelistas mesmo. Eu sei estar estafada a metáfora, mas quando passeio nas redes sociais vou-me deparando com micro-pactos Ribbentrop/Molotov …
Tal como há décadas as críticas à realidade soviética são reduzidas a “propaganda”. Sobre esta questão da política soviética relativa às nacionalidades pode-se fugir à mera literatura de denúncia. Sobre os seus iniciais pressupostos ideológicos ver o já antigo artigo de Julian Towster, “Soviet Policy on Nationalities”, The Antioch Review, 11 (4), 1951, pp. 437-448. Sobre a brutalidade nos primeiros decénios da URSS ver o de Terry Martin, “The origins of Soviet ethnic cleansing”, Journal of Modern History, 70 (4), 1998, pp. 813-861. E há uma abordagem global no livro Rachel Denber (org.), The Soviet Nationality Reader: The Disintegration in Context, Westview Press, 1992. Claro que especialistas conhecerão muitos mais (recomendáveis) textos. Eu aqui me limito a deixar referência a algo do que em (recuados) tempos li e que está disponível na internet.
O ríspido comunicado: “A pedido de vários Órgãos de Comunicação Social, sobre o falecimento de Carlos Brito. Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar.”
Mais do que ir à internet em busca de um resumo sobre o tema, é de ler o célebre “Um passo em frente, dois passos atrás (A crise do nosso partido)”, V. I. Lénine, Obras Escolhidas, v. I, Avante/Progresso, 1977 pp. 215-376. Se em leitura apressada, basta consultar o índice e em duas ou três páginas bem escolhidas percebe-se o conteúdo do princípio organizador.
Tal como aconteceria com vários daqueles que foram cursar a universidade na URSS, entre os quais o mais conhecido é José Milhazes.
Na segunda metade de 1980s era constante a referência a “erros e desvios” como as causas para a decadência dos regimes da Europa de Leste. É uma teoria que não encontro em livros, mas era omnipresente na imprensa. Para uma referência anterior desse argumento ver António Borges Coelho “Os construtores modernos da sociedade socialista, apesar dos seus erros e desvios, comprovam-no…” (O 25 de Abril e o Problema da Independência Nacional, 1975, p. 63).

