Cotrim: um autogolo e o recurso ao VAR
(O Clérigo Mouco 31)
(Preâmbulo: o futebolês é sempre [o "sempre" sublinhado] a expressão de uma reflexão pobre. Típica em mim...)
1. O autogolo: Cotrim está na área, enfrenta um passe para o ariete Ventura. Em vez de um impetuoso chutar para canto (num simples "à segunda volta irei eu"), hesita diante da bola, quer adornar, faz uma rosca ("nada excluo na segunda volta") e trai o guarda-redes: autogolo aos 80 minutos.
Análise técnica: Ventura aposta no campeonato e não na final desta Taça, a qual perderá (nem que seja a penáltis). Prefere que a ganhe alguém da sua "distrital" (o Almirantado ou até o Liberal), mas nunca o "eterno rival" (que diz "mais do mesmo"). E também não o clube da capital (o Socialista) - ainda que se for este isso lhe reforçará o capitanear da luta contra o "Terreiro do Paço" (a que chama "bandalheira"). Ou seja, agora bastar-lhe-á chegar às meias-finais, entre 15 a 20 pontos, e assim nesta recta final vem poupando o seu plantel: por isso anda pouco tonitruante nas investidas contra os jogadores turcomanos, toltecas e hotentotes, e até manso na aversão à contratação de sefarditas, moçárabes e suevodescendentes...
Cotrim sabe isso. E não quis espantar as hipotéticas franjas de voláteis votantes no CHEGA que agora o poderão escolher. Assim hesitou, adornou: o tal autogolo. Não é tragédia, há ainda muito tempo de jogo e a equipa está a jogar bem.
2. O recurso ao VAR: neste torneio o Almirante vem parecendo o Ajax de Farioli e o catenaccio a la Trapattoni de Marques Mendes aparentou vingar. Quando contra MM Cotrim ainda ensaiou um jogo raçudo, digno de Simeone. Mas logo se retraiu, regressando ao jogo com "nota artística" qual Jorge Jesus.
No jogo seguinte com MM o Almirante não foi de modas. Temendo descer de divisão, alterou a táctica, apostou no velho "kick and rush" e meteu uns torpedos no bote PSD, demonstrando-o como candidato do afamado "Sistema", dizendo-o um Videirão. A este a goleada sofrida deixou sequelas, o ambiente no seu balneário ameaçou ruir.
Assim se impôs uma inflexão táctica no clube MM, a opção pelos "mind games", o celebrado rumo de Mourinho. Logo ao Almirante foram apostas inúmeras malfeitorias na gestão do erário público. Mas o fiscal de linha levantou a bandeirola, assinalando um óbvio fora-de-jogo, anulando o perigoso contra-ataque.
Entretanto Sousa, o presidente da Federação, convocou in extremis uma Assembleia extraordinária para que MM pudesse surgir elaborando sobre os males da bola nacional e os da orbe, já em vésperas do ansiado Mundial.
Resta Cotrim que vem qual Amorim - o do Sporting, que não o do United - trepando num "jogo a jogo". E o implacável "Sistema" mais intervém: já nos descontos de tempo decide transformar um encosto na área durante a marcação de um canto numa vil agressão, almejando penálti decisivo e cartão vermelho.
Confia o tal "Sistema" que isso passará, até porque nesta Taça não há VAR. (Mesmo assim, pelo sim pelo não, as imagens do lance - o texto "denunciatório", se se quiser - são logo eliminadas, apontando-se um "apagão" como causa para tal). O objectivo do lance é o de que sempre ficará a mácula do "não há fumo sem fogo", a imagem de um Cotrim afinal marialva ordinário, esconso assediador. Colhendo efeitos negativos, por poucos que sejam, entre a emergente mole do futebol feminino.
Análise técnica: não há paciência para estes "mind games". Mesmo nenhuma. Nem para o anti-jogo.
Anteriores postais sobre estas eleições:


Brilhantes! o candidato e o texto.
Seguro x Cotrim, uma elevação politica este país ganhará para a campanha da 2ª volta.
Surge uma luz ao fundo do túnel.